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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Street art: usar a cidade antes que ela te use

"Street art refere-se a uma forma de expressão artística encontrada em espaços públicos e, assim, aberta e acessível a todos. Isso inclui muitas formas diferentes de graffiti, bem como adesivos e stencils, a alteração de cartazes de propaganda, instalações e reconstrução de uma área especificamente escolhida pelo artista.

Os street artistis quase sempre permanecem anônimos ou são conhecidos apenas por um círculo pequeno de pessoas. "Reclaim the Streets (recuperar as ruas)" é um slogan popular entre os artistas, referindo-se à sua visão crítica da publicidade difundida nas cidades. A arte geralmente implica em um ato ilícito (por exemplo, danos em propriedades e cartazes não autorizadas). O artista, no entanto, não vê nada de ilegal no que estão fazendo.

Artistas de rua promovem a si mesmo, suas atitudes ou idéias específicas em seu trabalho. Assim os trabalhos são "publicidade" para um indivíduo e não um produto no sentido clássico. Suas obras frequentemente assumem um ar de paródia a um anúncio existente. Artistas definem sua motivação como decorrente de uma necessidade de desenhar pessoalmente o espaço público fornecendo uma alternativa para o impacto dominante da publicidade comercial e sua superficialidade, se constituindo como uma saída para expressar sua criatividade."

Essa é a definição de arte de rua feita no livro Street art in Berlin, do Kai Jakob. Achei a publicação abandonada no aeroporto da capital alemã em janeiro do ano passado. Sempre gostei muito de intervenções urbanas, creio que deixam a cidade mais bonita, quebram o padrão cinzento das metrópoles e surpreendem aqueles que circulam pelas ruas.

Há uma discussão muito grande que envolve pichação, grafite e intervenções/instalações urbanas. Algumas são bem aceitas socialmente por serem consideradas criativas, que agregam ao dia a dia da cidade, às vezes até trazem uma crítica ou uma mensagem positiva e bem humorada. Outras são consideradas apenas vandalismo, uma questão de poluição visual que deve ser combatida. O que inicialmente era colocado tudo no mesmo lado da balança foi ganhando diversas classificações. Enquanto uns ainda são considerados "coisa de marginal, só sujeira", outros passaram a ocupar galerias de artes e serem disputados por colecionadores. Independente da forma, raramente paramos para pensar: o que essa expressão significa? Há algum propósito ou mensagem? Existe essa delimitação entre arte e vandalismo dentro da street art? Street art e grafite são duas áreas diferentes?

Talvez seja devido a essa falta de compreensão, de debate sobre a street art que haja diversas polêmicas sobre algumas obras, muitas sendo consideradas preconceituosas ou então com apologia a determinadas condutas. Exemplos disso podem ser encontrados nos vídeos Exit through the gift shop, do Banksy e Fast Life, do MTO. As polêmicas mais recentes que tive notícias envolveram artistas brasileiros. Em agosto de 2012, Os Gêmeos fizeram um grafite em Boston, EUA, que gerou uma manifestação contrária a arte por muitos acreditarem que retratava um terrorista.

Click na imagem para ver mais fotos e um vídeo sobre a obra acima
Em Goiânia, Decy Graffiti também protagonizou um imbróglio envolvendo street art em propriedades privadas. Ele começou a pintar os caixotes metálicos cinzentos de telefonia espalhados pelas calçadas da cidade. Em entrevista para o jornal O Hoje, o artista afirmou que "É claro que achei que seria uma boa maneira de divulgar o nosso trabalho, mas também quis deixar as caixinhas mais bonitas", já que muitas delas eram utilizadas (também sem autorização) para a fixação de cartazes publicitários, gerando uma grande poluição visual.

Resultado: a empresa telefônica pediu para que o artista não pintasse mais as caixas metálicas pois ele não havia pedido autorização e, futuramente, ao serem removidas e devolvidas, elas teriam que estar na cor original, ou seja, cinzas. Ok, cabe a discussão sobre pedir autorização ou não para utilizar o espaço, porém a empresa perdeu uma grande oportunidade publicitária.

Por que não entrar em contato com o Decy, fazer um acordo no qual a empresa apoiava, patrocinava o artista, permitindo que ele continuasse grafitando as caixas telefônicas, mas dessa vez colocando a marca da instituição em um cantinho? Eles poderia usar o discurso: "apoiamos a cultura", "estamos deixando a cidade mais bonita" e, com certeza, ganhariam uma excelente repercussão que poderia até mesmo compensar os custos e o trabalho de, futuramente, repintar todas as caixas, para serem devolvidas.

No post Vergonha em terras alemãs eu coloquei um vídeo da exposição d'Os Gêmeos e eles fazem algumas definições e considerações sobre o grafite que são bem interessantes, mas a que eu mais me identifico é: "Se você não usar a cidade, ela vai te usar". Apropriar-se do espaço público para mostrar que você está ali, que você existe em meio a todo o concreto. Quase um grito de socorro para chamar a atenção para si e seus problemas, suas mazelas. Vale conferir o vídeo e também o site dos artistas, tem vários outros vídeos e links sobre o tema.

Além das ações isoladas de artistas ou pequenos grupos, existem vários projetos bem legais que buscam valorizar e difundir as artes urbanas em uma escala muito maior. O primeiro que vou destacar aqui é o Street Art View. É um Google Maps de grafite e instalações. Você acessa o site e vai navegando pelos países, estados, cidades e bairros por meio das marcações já existentes. Se você sabe onde existe alguma arte que não esteja marcada, você pode criar a tag com a localização. Porém, há uma pequena falha nesse processo. Street Art é um processo efêmero, espontâneo e mutante. Algumas das marcações mostram prédios que já foram repintados, apagando a obra que existia ali  Há um mês atrás estava em São Paulo, registrei algumas pinturas, como essa aqui do lado, e quando fui marcar no mapa, as imagens dos muros no sistema estavam desatualizadas, então os grafites não existiam, segundo o site. Porém, é uma boa iniciativa, pois é uma forma de encontrar as obras que, por vezes, passam despercebidas, assim como se constitui como um permanente registro de obras que já foram apagadas.

Um outro projeto que está ganhando força no país e usa o mesmo sistema de localização do Google Maps é o Color+City. A ideia é simples: você tem um muro aí dando bobeira, gostaria de vê-lo grafitado? Então tire uma foto dele, cadastra no mapa, colocando o endereço certinho e pronto. Você quer um muro para grafitar? Basta localizar os pontos disponíveis, se candidatar, entrar em contato e mãos a obra. Quer ver o resultado? Entre no site, selecione as intervenções feitas e confira as fotos.



É como o Gilberto Dimenstein disse no vídeo acima: além de criar novas cores, novas linguagens para uma cidade cada vez mais cinza, caótica e apática, o projeto busca transformar o muro, objeto de separação, em um espaço de integração, formando um grande mosaico colorido a céu aberto. Outro aspecto interessante foi apontado pela Natália Garcia: uma cidade colorida te convida a passear por ela. Quando eu estava na Espanha, adorava passar pelas ruas pois sabia que encontraria artistas de rua espalhados por dezenas de praças e esquinas. Na Alemanha, eu enfrentei temperaturas bem próximas a zero e até mesmo negativas só para percorrer a capital procurando essas artes urbanas. É uma quebra de realidade e de padrão que chama a atenção, que te conquista, mesmo que por poucos segundos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

That's all folks

Só agora, quando fui fazer uma "postagem de final de ano", que percebi que esse blog existe a mais de um ano. Quem diria que essa idéia que brotou do nada, após algumas tentativa falhas, duraria tanto tempo e sendo alimentada ainda...

Obrigado aos que acompanham esse blog sem propósito, ambições ou rumos e parabéns por aguentarem minhas divagações até agora. Tudo começou em 16/10/09, com a idéia de ser um diário de bordo das minhas viagens e experiências, mas acabou virando um mix de tudo que me vem na mente.

Nesse provável último post de 2010, um ano extremamente confuso, de decisões, mas também de muitas realizações, vou deixar uma idicação que vi no site Ñ.intendo e passei a acompanhar com mais atenção pelo canal do youtube. Estou falando do canal Gastação TV, dedicado a animações satíricas de jogos de videogames. Nesse link você também encontra algumns "Games Musicais". Um exemplo disso é vídeo aqui de baixo. Dá pra perceber que a música e os efeitos sonoros durante o jogo se combinam, é como sei a música tivesse sido escrita em cima das ações do Mário ou vice versa.



Outro exemplo das animações que podem ser encontradas no site está esse vídeo aqui:



Ele é menor que o anterior, o que vai conseguir manter a atenção dos hiperativos da "Geração Y", que não conseguem se concentrar em algo por muito tempo e logo saem em busca de novas informações e novos links.

Bom, creio que encerro 2010 com essa indicação de canal no youtube para os saudosos viciados em games com graficos toscões e pixalizados. Nos vemos em 2011 com mais divagações e loucuras.

That's all folks

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Por que eu faço cinema?

Com a internet e as novas tecnologias para captura de imagens, todo mundo pode ser um cineasta em potencial. Ou, pelo menos, se julgar um. Atualmente todo celular fotografa e filma, filmadoras portateis ficam com o preço cada vez mais acessível, os programas de edição tornam-se cada vez mais populares, além de computadores, sites e internet progressivamente melhores e cada vez mais presentes na vida da população.

Vários sites, como por exemplo Vimeo, Youtube, FizTv e até mesmo blogs, possibilitam os aspirantes a realizadores divulgarem suas obras. Claro que isso nos leva a pensar na "maldita inclusão digital" (destaque no segundo vídeo), que possibilita cada pérola escrotamente infeliz na net.Mas essa postagem não é pra criticar nada, é pra fazer uma indicação. Pra todos os que querem conhecer um pouco mais sobre cinema, as tecnicas, opiniões de renomados diretores, tudo numa linguagem bem acessivel e com um site bem didático e divertido, basta entrar no Portal Tela Brasil.

Nesse portal é possível aprender um pouco da teoria cinematrográfica, conhecer um pouco da história do cinema, fazer oficinas online e executar exercícios "práticos":

"No portal Tela Brasil, o internauta pode participar das Oficinas Virtuais, nas quais percorre todo o processo de produção de um filme até chegar à sala de cinema. Oficinas de roteiro, produção, direção, fotografia, trilha sonora, montagem, pós-produção e até de exibição fazem parte do conteúdo disponível gratuitamente ao visitante do portal. Cada oficina também é composta por exercícios virtuais. O portal traz ainda muita informação: notícias, inscrições para festivais e cursos, dicas de lançamentos no cinema, filmografias e bibliografias." (Portal Tela Brasil)

Creio que quando você entrar no site, tudo mais que eu tenha a falar aqui se torna desnecessário. Então vou economizar minha digitação e seu tempo e paciência em ficar lendo essas divagações. O link do site tá aí em cima, a indicação está feita, então só não aproveita quem não quer.

Pra conhecer um pouco mais, dá uma conferida na matéria que o Zoom fez sobre o portal e de onde eu tirei a idéia pra fazer esssa postagem. Basta clicar aqui pra ver o vídeo.

Até mais pra você caro leitor
See your space cowboy

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Polícia para quem precisa de polícia

Antes de começar mais essa divagação, quero deixar bem claro que não estou generalizando. Porém também não dá pra deixar de comentar essa situação incomoda e também incoerente. Acho que o título desse post já diz muita coisa. Polícia para quem precisa de polícia. Será mesmo que é só bandido que precisa de ação da polícia? E que tipo de ação seria essa? Pra começar a entender melhor o que eu digo, saca só esse vídeo aqui:


Não é de hoje que eu não deposito total confiança nas instituições públicas, ainda mais na polícia, tanto civil, quanto militar, quanto ROTAM.... Estamos cansados de ouvir falar e muitas vezes até ser alvo da ignorancia e brutalidade desses "guardiões da segurança". Repetindo o que eu disse, não quero aqui generalizar nada, mas também não posso fingir que essas coisas não existem.

Um livro bem legal que aborda esse tema com muita propriedade é o Rota 66, do jornalista Caco Barcellos (Se quiser ver uma sinopse do livro e também conferir uma entrevista com o próprio autor, é só dar um clique aqui e outro bem aqui).

É necessário repensar a ação da polícia. Porém será que a sociedade realmente quer e aguentaria uma polícia correta. Porque, se pensarmos bem, só ficamos revoltados quando a polícia age contra pessoas de classe média e tal. Mas se polícia espancar assaltante, dar tiro no pé de "muleque de rua", isso ninguem questiona, porque tavam fazendo o que não devia. Tá, mas mesmo que não estivessem fazendo coisa certa, essa tática de ação é a mais eficiente e correta?

Morador de rua que fuma maconha e cheira pó é tudo traficante, vagabundo, criminoso, sem futuro e que merece apanhar, ser preso e se pisar fora da linha merece morrer. Mas estudante de classe média, branco, que fuma maconha e cheira pó é só um usuário, incompreendido pela família e sociedade e que precisa de ajuda psicológica, né? Aí quando a polícia age de maneira igual pros dois lados, a polícia é violenta, não respeita direitos humanos, né?

Escrevendo esse texto eu acabei mudando um pouco o meu foco. O erro não está na polícia. Não só na polícia, mas também na sociedade, nessa hipocrisia de merda. A um tempo atrás eu assisti um documentário, Notícias de uma guerra particular, que mostrava os três lados da violencia: os traficantes, os moradores e os policiais. É bem interessante para para analisar o ponto de vista dos três lados da sociedade. Quem quiser conferí-lo, é só entrar aqui nesse link do youtube que tem ele completo. Eu recomendo, realmente é muito bom. Mas só pra finalizar essa minha falação, vou fazer uma coisa bem típica de jornalista: vou colocar uma pessoa, falando com as palavras dela, algo que confirma o que eu disse anteriormente. Ê jornalismo que corrompe até uma mera opinião de blogueiro (rs). Só pra esclarecer, esse cara do vídeo era o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro em 1999, época em que foi produzido esse documentário

segunda-feira, 26 de abril de 2010

OBMJ

E aí leitores, tudo na boa? Passei um tempinho ausente aqui do blog porque estava numa fase bem ruim, um caos na cabeça. Só que aí veio o Erecom, encontro regional dos estudantes de comunicação, em Brasília. Isso me ajudou MUITO a por a cabeça de volta no lugar, voltar à minha frieza e racionalidade característica.

Mas vamos ao que realmente interessa. To passando aqui pra fazer uma indicação musical. Lá em BSB o pessoal gosta muuuuuuuuuuito de reagge e também de ska. Não são muito meu estilo, mas também não fico reclamando. Ska eu conhecia pouco, conheci mais lá em Brasília. E gostei muito de uma coisa que eu ouvi lá, a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana (OBMJ). O lance dos caras é o ritmo jamaicano, fazendo releituras de músicas famosas em ritmo Ska. Um dos que mais me chamou a atenção foi a ópera "O Guarani". Dá um confere aí.



Agora vai lá, joga no youtube o nome dos caras e confere mais músicas deles, é bem bacana. Pra finalizar, vou deixando aqui um videozinho ensinando como se dança esse novo ritmo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Vamos misturar!

Em umas postagens antigas eu já tinha falado um pouco de samba rock, em especial sobre o Farufyno. Continuo gostando bastante dessa galera, quem não conferiu, tá aí a nova oportunidade. Só que hoje a banda é outra. Fui apresentar a rádio universitária para uma amiga minha e entre tantos vinis, cds e youtube, o Sérgio Pato me mostrou uma galera muito massa.

Eles são um ótimo exemplo do sincretismo musical. Dão uma roupagem nova aos clássicos do rock. Além dos sambas tradicionais, os chamados samba de raíz o pessoal do Sambô canta rock em ritmo de samba. O repertório é bem amplo e variado, indo de Led Zeppelin a U2, passando por O Rappa e Maron 5. Mas vamos parar de papo furado e vamos ouvir um pouco do trabalho deles. O primeiro vídeo é a música do Led, Rock'n Roll. Além da releitura musical, o vocal do grupo me chamou bastante a atenção.



Esse segundo vídeo aqui é uma apresentação que eles fizeram no "Se vira nos 30". Postei esse segundo vídeo mais pra mostrar as outras músicas, porque a apresentação mesmo dos 30 segundos nem vale muito a pena, mas o final do vídeo merece ser visto.



Fica aí mais um pitaco musical desse humilde blogueiro. Quem quiser pode opinar aí nos comentários o q achou da banda.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Todos tem o seu preço?

Já diz o ditado: Todo mundo tem um preço. E aí, será que é verdade? Tem um pessoal que pensa: Não, nem todo o dinheiro do mundo faz eu cometer determinada ação! Mas quem foi que falou em dinheiro? O dinheiro compra muita gente? Claro, não estou falando o contrário, mas há pessoas que não são tentadas pelo dinheiro. Porém a moeda não é sempre só o dinheiro. Todos possuem segredos, fobias, pontos fracos. Basta achá-los e terá a moeda de troca irrecusável. E você se pergunta: Então você acha que todo mundo tem um preço? Até você? Claro! Todos nos vendemos em algum determinado momento. Se, nesse momento, você está dizendo que não, é porque nunca te fizeram uma oferta ou então não acharam a moeda exata. Por que estou falando tudo isso? Novamente um filme. Quer coisa melhor pra ter novas idéia/opiniões/visões, seja lá o que for? Todo mundo sabe que baixo muitos filmes, de todos os estilos, de todos os países. A bola da vez é o tailandês 13 game sayawng.



O PARAGRAFO ABAIXO POSSUE PEQUENA DOSE DE SPOILER

O filme brinca com essa história de que todos tem um preço e também até onde as pessoas vão, do que elas são capazes. Todo mundo se liga nessa temática do filme, mas o que poucos prestão atenção é que tudo não passa de uma espécie de reality show. Ou seja, o filme brinca com a cumplicidade das pessoas que veem as outras "se vendendo" ou se degladiando, mas não fazem nada a não ser sentirem o prazer voyerista. Em várias cenas do filme podemos ver a inação humana. Novamente eu repito: filmes não são mera diversão. Revelam às pessoas, realidades e costumes que poucos se dão conta. Talvez passem a refletir após se identificarem com o filme. Talvez continuem pensando que tudo só acontece em filmes, que elas jamais ficariam vendo os outros confinados, fazendo coisas que são programadas pelos que assistem.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tapete Vermelho

Filmes não são meros objetos de diversão ou distração. Sempre querem dizer algo mais do que a história linear. Não me entendam mal quando falo isso. Não estou querendo dizer que todo filme tem uma mensagem subliminar, ou algo altamente filosófico e mirabolante. Alguns até possuem, mas não é sobre isso que quero falar. Indo direto ao ponto hoje vou falar do filme "Tapete Vermelho" e vou usá-lo como exemplo do que quero dizer. O longa mostra Quinzinho tentando realizar a promessa de levar seu filho a um cinema para assistir ao filme do Mazzaropi. Como toda obra, há inumeras dificuldades até chegar-se ao êxito. E são essas dificuldades que mostram esse algo a mais que o filme quer passar. Mostrar alguns aspectos da realidade que muitas vezes estão na nossa frente e fingimos não ver, ou consideramos como só uma ceninha rápida de um filme. O sincretismo e as crenças religiosas, a situação dos sem-terras, os "superiores" sempre menosprezando os "inferiores", meninos de rua, dificuldade no acesso a bens culturais. Tudo isso faz parte do nosso cotidiano, mas encaramos apenas como uma cena rápida, sem importância para a história principal.




Deixando um pouco de lado essa divagação, falemos agora do longa metragem. A história se desenrola de maneira bem leve, com situações engraçadas, outras um pouco improváveis, mas de maneira cativante. As atuações são boas, revivendo o estilo dos filmes de Mazzaropi, retomando o estereótipo do "Jeca Tatu". Dá-se muita atenção a determinadas coisas, enquanto outras poderiam ter sido mais trabalhadas. Porém nada que desmereça a produção e faça o filme deixar de ser visto. Fica aí mais uma divagação sobre cinema, quem quiser dar algum crédito a esse escritor que mais viaja do que fala algo com sentido, fica aí a dica.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cinema Nacional

Acabei de sair da frente da TV mais uma vez direto pro pc pra comentar sobre filme. Muita gente não gosta de filme nacional, diz que filmes brasileiros são chatos, não são bem produzidos e não sei mais o que. Certa vez fiz um minicurso de roteiro e direção e o oficineiro, que era espanhol, perguntou o que conheciamos e o que achavamos do cinema latino e do cinema nacional. Um dos participantes disse que tirando o cinema nacional, do resto ele até gostava. Pra minha surpresa (e até felicidade), o oficineiro retrucou: "O que você anda vendo? Eu conheço o cinema brasileiro e gosto muito do que é produzido aqui."

Não sei se é mania de considerar tudo o que vem de fora como sendo melhor, mas me irrita profundamente as pessoas denegrirem os longas nacionais. Não temos uma industria cinematográfica como Hollywood, não produzimos filmes bilhonário, não ganhamos dezenas de Oscars, mas temos sim filmes de boa qualidade.

Acabei de assistir o filme "Durval Discos". A história é aparentemente bem simples e previsível. Só que a diretora trabalha muito bem com a questão do disco, ou seja, o lado A e o lado B. O filme segue visivelmente essa analogia. No início se mostra uma comédia, algo mais leve, para só no lado B mostrar o outro estilo. Nessa segunda parte, o filme torna-se uma drama beirando o no nonsense e até mesmo ingredientes surrealistas.

Pelo que pude perceber, essa é uma obra que agradou a muitos e desagradou a muitos também. Conversando com algumas pessoas que não gostaram, percebi que era devido ao vício do cinema norte americano. Os hollywoodianos, em grande parte, não fazem pensar, são filmes auto explicativos, toda a história segue uma linearidade, com ações já conhecidas e tudo mais. Porém Durval Discos foge dessa coisa mastigada e lógica para brincar com a (ir)racionalidade e com os sentimentos.

A trilha sonora é outra coisa fantástica no filme. As músicas, todas retiradas de vinis de cantores ou grupos de sucesso, até parecem que foram feitas especialmente pro longa metragem. Elas se encaixam tão perfeitamente que quase fale a pena assistir só pela trilha sonora. As atuações também são um show a parte, junto com o cenário bem montado e decorado.

Uma ótima produção nacional, vale a pena conferir. Em breve faço mais postagens justificando e exemplificando o porquê do meu gosto pelo cinema nacional. Aqui tá um pedacinho do filme só pra deixar um gostinho, mas essa cena não revela a essência do filme, então não se enganem...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Engano

Esse curta já esteve no Perro Loco, festival do qual fiz parte da organização. Acho ele fantástico, e retrada de uma maneira metafórica os enganos e desencontros que temos em nossa vida.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Passagem para...

Essa postagem aqui é inspirada em um texto do meu amigo de curso, Péricles (vale MUITO a pena dar um confere no blog dele) e também é dedicada a ele, já que foi o mentor do meu post. Dando aquela passada no blog dele ví algo que me chamou muito a atenção. Nós dois temos muitas opiniões e aspirações em comum e ao mesmo tempo muito diferentes. Porém concordo plenamente com o Péricles quando ele fala do programa "Passagem para...". Como diz meu amigo futuro jornalista, "A ideia do programa pode ser resumida em poucas linhas, pois trata-se de um jornalista que viaja o mundo colhendo histórias e imagens das pessoas, seus costumes e culturas. É um trabalho muito curioso, que demanda observação e principalmente sensibilidade. Com influências do New Journalism, Luís Nachbin é um viajante solitário que parte em busca de novos ângulos e novas maneiras de contar histórias com uma profundidade muito peculiar em se tratando de televisão."

Argentina: um taxista portenho fala sobre política e repressão from Canal Futura on Vimeo.



Não é segredo pra ninguém que sempre tive espírito aventureiro, já peguei mochila, coloquei nas costas e meti o pé estrada pelo simples prazer de conhecer coisas novas, realidades novas. E acho que foi meio por isso que acabei escolhendo jornalismo e também por isso que gosto (e invejo de maneira positiva) pessoas e programas que realizam essa ato de aventura e conhecimento.

Quando fizer meu mochilão no final do ano, pretendo fazer algo semelhante, só que em escala bem menor, lógico. É uma excelente maneira de conhecer o país e também achar semelhanças nos outros. Nesse vídeo acima mesmo dá pra perceber que não somos tão diferente dos nossos "hermanos".

Outra coisa bem legal desse programa, que é o que eu mais pretendo fazer na minha viagem no fim do ano é falar minha impressão e também algo peculiar que tenha acontecido durante o percurso. Meio que deixar um registro de tudo aquilo que vivi.

Passagem Para causo 043 china from Canal Futura on Vimeo.



Bom, e fiquem com mais um pedacinho do programa desse cara que viaja o mundo com uma camera na mão, ouvindo e contando histórias. Espero um dia poder fazer algo mais ou menos nesse estilo. Não precisa ser viajar o mundo, pois bem perto de nós sempre achamos coisas muito interessantes também.

Irã: a volta ao mundo de bicicleta from Canal Futura on Vimeo.



E pra finalizar, dar os créditos ao Péricles pela iniciativa de postar sobre esse programa. O tópico no qual eu me inspirei pra fazer o meu foi esse aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Yes!

Sim! Saido diretamente da televisão para a frente do computador. Estava assistindo um filme que minha irmã colocou no dvd. No começo não dava nada por ele, mas ainda bem que existem enganos. O filme era Yes man, ou em português, Sim Senhor!. Jim Carrey interpreta um cara que vivia (se é que poderia se chamar aquilo de vida) sua rotina, sempre dando desculpas para não fazer nada. Porém, a convite de outra pessoa, Carrey começa a participar de uma experiencia de auto-ajuda. Sim. Esse é o segredo. Dizer sim para tudo o que aparecer pela frente. No filme, muitas situações podem realmente acontecer, outras não, mas o que realmente importa é o SIM. O filme não foi feito para você acreditar em tudo e sair dizendo sim pra qualquer coisa que te perguntem ou proponham... Mas lança uma idéia legal a se pensar. O que é a vida sem riscos? Sem experiências? A rotina, padrão, monotonia matam o ser humano, podam todas as possibilidades.A vida é riscos, escolhas. Se vai ser bom, ruim, quais as consequências, isso descobre-se depois. O que vejo por aí muitas vezes são pessoas caindo no comodismo em busca de segurança. Pode ser divagação, mas afinal, esse blog não é justamente para isso? Não consigo ver a vida como um caminho certinho, bonitinho, no qual as pessoas nascem, brincam quando crianças, tem namorinhos quando jovens, estudam, trabalham, casam, constituem família, envelhecem e esperam a morte. Meu prazer é correr risco, apostar as fixas que eu tenho. Para que manter uma situação se eu posso estar sempre inovando, modificando? Viajar na cara dura, sem saber ao certo onde vai dormir, arriscar situações improváveis... Tudo pode virar uma história legal para se recordar ou contar em uma roda de amigos. Ou pode acabar dando tudo errado. Mas para que ficar cojitando as coisas? Façamos e descubramos depois.

Matanza mesmo já diz sabiamente: "Consequência qualquer coisa traz/ quando é bom nunca é demais/ e se faz bem ou mal, tanto faz... tanto faz...". E no final das contas, arrisque. Sim!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Papo de botequim

Bom, como eu havia dito a uns posts abaixo, um site bem legal é esse projeto da Petrobrás, o Porta Curtas. Nesse site estão disponíveis vários curtametragens para que possam ser assistidos e até mesmo usados em salas de aula por professores. Chega de conversa, eu disse que eventualmente postaria um filme por aqui, a pedida da vez é um relaxante papo de botequim.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pequenas doses

Porta Curtas. Esse site sim merece respeito. Não é segredo pra ninguém o tanto que produzir cultura é difícil. Uma das maiores patrocinadoras culturais do país é a Petrobrás. A um certo tempo eu já venho acompanhando os trabalhos realizados por essa empresa. Dou destaque aos incentivos ao campo do audiovisual. Além dos patrocínios às produções, tanto longa quanto curta metragem, a Petrobrás desenvolve algo que eu acho extremamente legal e que sempre me proporciona ótimas experiencias. A empresa faz um trabalho itinerante de montar cinema no meio da rua. Um caminhão projetor, uma tela inflável gigante e cadeiras de metal no meio da praça, da rua, seja onde for. Está armado o Cinearte Sarau Petrobrás. Além de valorizar artistas locais que se apresentam antes da exibição, há sempre um curta metragem e um longa, ambos nacionais. Outra divulgação das produções audiovisuais é o acima referedo Porta Curtas, um site em que a Petrobrás permite que os usuários vejam os curtas. Muito legal isso, não é só ajudar a produzir, mas também ajudar a divulgar, já que essa última parte é tão difícil em nosso país. Eventualmente vou postar alguns curtas aqui, afinal não é segredo pra ninguém que eu sou viciado nesse tipo de produção. Pra começar vou postar o primeiro curta metragem que eu vi e que me tocou muito. Quem quiser conferir mais, é só entrar no www.portacurtas.com.br